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EMPRESA APRESENTA TECNOLOGIA LIMPA PARA A INCINERAÇÃO DO LIXO
Uma nova tecnologia, desenvolvida no estado do Alaska, nos Estados Unidos,
está sendo trazida ao Brasil pela TSE - Tecnologia Segurança
em Energia. "A TSE detém a tecnologia para incineração
em baixa temperatura, não emitindo dioxinas para a atmosfera, uma vez
que as turbinas para a geração de energia trabalham com pós-combustor
- queima duas vezes o gás que as alimenta, podendo aproveitar o máximo
para produzir a força que deverá gerar a energia", explica
Puppio. Além do Brasil, o Japão e a Itália estão
demonstrando interesse nesta tecnologia.
A nova proposta utiliza o lixo doméstico, industrial e hospitalar como
fonte de energia elétrica. Os resíduos são incinerados
sob uma temperatura de, em média, 500 ºC. Nesta temperatura, apenas
aço, vidro e alumínio não são queimados, pois
necessitariam serem expostos a 1500 graus de temperatura, como ocorre na queima
tradicional. "Esses resíduos restantes representam apenas 30%
do total e são destinados à reciclagem", revela Puppio.
Portanto, essa nova tecnologia promete ser a solução para um
destino ecologicamente correto para o lixo e uma saída alternativa.
O diretor da TSE esclarece que o lixo produzido em uma cidade como São Paulo é suficiente para gerar energia para 400 mil casas. O calor das chamas também é uma forma de energia e quando bem aproveitado pode ser usado para produzir eletricidade. Tudo isso acontece em incineradores que utilizam o mesmo princípio de funcionamento de uma usina termelétrica, queimando um combustível fóssil para gerar energia. Os incineradores que o Brasil possui não são adaptados para produzir esse tipo de energia.
A tecnologia usada é a da gaseificação do lixo que, segundo ele, foi testada durante anos no Western Institute Research em Laramine, Wyoming e aprovada pelo U.S. Environmental Protection Agency - agência de proteção ambiental dos Estados Unidos. Além disso, as cinzas transformam-se em base, que podem ser utilizadas como adubo ou nas fábricas de cimento. As cinzas geradas pela queima são equivalentes a 10% do lixo incinerado.
A nova tecnologia permite gerar energia em grande quantidade sem poluir, sem odor e sem barulho, pois os equipamentos são construídos abaixo do nível do solo e o lixo não fica exposto, sendo queimado 24 horas por dia. Já a questão da reciclagem é resolvida por meio de contratos com empresas que prestam esse serviço e as empresas vão até a usina para buscar o lixo que será reciclado.
O diretor da TSE destaca que esse é o único processo de incineração com dois estágios do mundo e capaz de manejar a grande mistura contida no lixo tropical. Essa combustão em duas fases consiste na gaseificação inicial e depois na combustão dos vapores orgânicos, fuligem e gases gerados do material primitivo. Outras vantagens são a recuperação de metais, o fato de o sistema não necessitar de um pré-processamento ou de uma seleção prévia do lixo, as áreas de instalação e de trabalho são menores em relação às de outros processos já existentes e requer um tempo de instalação menor em relação aos demais.
Parte do funcionamento consiste em três componentes - célula de gaseificação primária, processador de gás secundário e uma central de processamento lógico computadorizado - responsáveis pela conversão dos resíduos em combustível. É na célula de gaseificação primária que o lixo é despejado e incinerado. Já a fuligem e as emissões orgânicas são incineradas em uma segunda câmara.
No processamento de gás secundário os gases que chegam ao processador são misturados com o ar para melhorar a queima. O gás produzido será queimado e na fase final resultará um gás pobre.
Apesar de todos os prós apresentados, a construção dessas usinas esbarra no custo de implantação, declara o diretor da TSE. "Falta incentivo financeiro e vontade política , uma vez que para a construção de uma usina de médio porte são necessários, aproximadamente, U$400 milhões", segundo ele, o que em reais equivale aR$ 880 milhões. Embora haja o alto custo na implantação, o retorno desse investimento é em torno de três anos. Puppio conta que há algum tempo vem divulgando a tecnologia através de palestras em diversos lugares do país.
Segundo informações da TSE, em uma cidade de 400.000 habitantes há uma produção de 400 toneladas de lixo ao dia. A usina ecológica leva cerca de dois anos para ser construída. Do total da energia elétrica gerada ao mês, as vendas de reciclados de vidros equivalem a 10% e de alumínio 18%. Contudo, Puppio explica que a implantação desse tipo de usina é recomendada para lugares com acima de 600 ou 800 mil habitantes - menos do que isso se torna inviável, pois os custos de implantação são altos.
Fonte: Revista Meio Ambiente Industrial
(Novembro/Dezembro de 2005)