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GNV COM DIESEL

O interesse do poder público em desenvolver ações para estimular o uso do gás natural veicular no transporte coletivo pode ter como aliado a tecnologia.

O Brasil vive a era dos motores flexíveis que nos veículos leves permitem a utilização de gasolina, álcool e GNV. Isso é uma realidade. Nada mais natural que essa tendência chagasse também aos pesados.

Para isso, seria necessário desenvolver uma tecnologia capaz de permitir o uso de outro combustível com o diesel, já que motores a gasolina e álcool para ônibus e caminhões são coisa do passado na indústria brasileira.

A resposta foi dada pela Delphi Automotive Systems. A empresa já tem à disposição das montadoras o sistema biocombustível para ônibus e caminhões, na versão diesel e gás natural. Esta tecnologia pode ser chamada de tricombustível, pois também admite a utilização do biodiesel.

Originalidade

Uma das peculiaridades do sistema apresentado pela Delphi é a preservação da originalidade do motor diesel. "Ao contrário do que acontece com as adaptações, nosso sistema não interfere nas características do motor. O gás natural é introduzido no coletor de admissão, por um ou mais injetores. A CPU reconhece a presença de gás no sistema e injeta o mínimo de diesel necessário para que ocorra a combustão", explica Vicente Pimenta, gerente da qualidade e desenvolvimento de projetos especiais da Delphi.

Na prática , o motor vai funcionar com cerca de 90% a 95% de GNV, sendo o restante complementado pelo diesel, que também será injetado nas partidas. Ou seja, ao contrário do que ocorre nos motores Ciclo Otto, não se trata um impulsor movido 100% a gás, por uma razão técnica ligada ao princípio de funcionamento dos propulsores Ciclo Diesel.

Para os frotistas, a vantagem em relação aos motores convertidos para o GNV é evidente: o biocombustível pode rodar também por regiões em que não existem postos de abastecimento para o gás natural. Além disso, também não haverá necessidade de reconversão na hora da revenda do veículo.

Por enquanto, a Delphi já tem fornecimento garantido a uma montadora, que irá utilizar o sistema em seus ônibus. Os veículos chegarão ao mercado entre 2006 e 2007.

Números do benefício

Segundo os testes realizados pela Delphi, o novo motor bicombustível apresenta uma série de vantagens quando comparado ao mesmo propulsor movido a diesel.

A primeira delas é a economia, fator fundamental para as frotas. Tomando como exemplo um motor diesel estacionário - um gerador, por exemplo - o ganho do GNV fica em torno de 20 reais por hora. É claro que para o frotista o que importa são os números dos motores em operação nos veículos. Neste caso, a Delphi estima uma economia de cerca de 8 a 10 reais por hora. Ou cerca de 30% no custo por quilômetro rodado.

Outra característica do biocombustível é que, segundo a Delphi, não ocorre perda de potência nem torque. Isso porque toda vez que houver necessidade, o sistema de gerenciamento eletrônico injeta maior quantidade de diesel para atender à solicitação do motorista. Vale citar também como vantagem, a redução nos níveis de emissões de um veículo a GNV em comparação com o diesel.

Por enquanto, o sistema está disponível, apenas para as montadoras. Porém, o passo seguinte deve ser disponibilizá-lo também para o mercado de reposição.



Fonte: Revista Gás Inteligente
(Julho de 2005)