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RECICLAGEM CRESCE 1200% EM DEZ ANOS

“Nos últimos dez anos, a reciclagem de PET no Brasil cresceu cerca de 1200%. A evolução média anual tem variado entre 20% e 25% e deverá se manter nessa faixa pelos próximos três anos”, anunciou Alfredo Sette, presidente da Abipet (Associação Brasileira da Indústria do PET), no final de novembro último, durante a divulgação dos resultados da pesquisa elaborada pela entidade sobre o panorama atual de reciclagem de PET (Tereftalato de Etileno) no País, que traz informações segmentadas por estados.

Para Sette, essa evolução deve-se em primeiro lugar à “motivação ambiental” – a população conscientizou-se da necessidade de um descarte mais adequado para este tipo de embalagem. Por outro lado, o catador percebeu no PET uma nova opção de renda, já que é o segundo produto que melhor remunera depois do alumínio. O terceiro fator importante é que as indústrias estão respondendo com instalações que absorvem este tipo de material. Hoje já existem 52 empresas em território nacional que fazem reciclagem de PET, mas que ainda apresentam uma ociosidade média de 20% por falta de matéria-prima coletada. Segundo o estudo apresentado pela entidade, essa situação deverá estar resolvida em um ano, graças aos novos usos que estão sendo descobertos para PET reciclado.

O presidente volta a enfatizar a colaboração dos catadores, que foram se organizando em cooperativas, depois associações e já somam quase 500 mil pessoas, segundo dados divulgados pela Fundação Cáritas. De acordo com Sette, as cooperativas estão ficando mais sólidas e competentes, com o apoio de ONG’s e indústrias, mas ainda sem o grande apoio do governo. “Se o governo começar a se envolver nesse processo de organização das cooperativas, estabelecendo sistemas de coletas seletivas, aumentará a disponibilidade de matéria-prima, a renda do catador e, por conseqüência, diminuirá o problema ambiental”, avalia o presidente.

Ao contrário da curva ascendente da taxa de reciclagem de PET verificada no Brasil, nos Estados Unidos esses números passaram de 39,7% em 1995, para 21,6% em 2004, em função de não existir naquele país a figura do catador. Para o executivo, o sistema brasileiro não teria sucesso em países como Canadá e Alemanha, por exemplo, devido à diferente estrutura socioeconômica. Já no México, onde o índice de reciclagem é de apenas 6,5%, o modelo brasileiro seria bem recebido.

Segundo mostra o estudo da Abipet, o Brasil recicla atualmente 47% do volume de PET produzido e ocupa uma das primeiras posições em nível mundial. Quanto ao consumo, o Brasil está classificado em 48º lugar no ranking mundial (num total de 80 países), com 1,6 kg/hab/ano. Na Argentina são consumidos 4 kg/hab/ano e na Itália 7 kg/hab/ano. O presidente da Abipet diz que a produção nacional ainda não é suficiente para atender à demanda. O México é o segundo maior mercado mundial de refrigerantes e consome cerca de 50% a mais de PET que o Brasil , que ocupa a terceira posição nesse segmento. O envase de refrigerantes em embalagens PET já representa 75% da atividade, seguido de água mineral, óleo comestível e outros.

Um estudo sobre a análise de ciclo de vida do produto mostrou que a grande vantagem ambiental do PET, além do fato de ser 100% reciclável, é a leveza do material. “A regularização da reciclagem, aliada a uma coleta adequada que respeite o meio ambiente resolvem a equação do descarte”, pondera Sette.

Segundo a pesquisa, o estado de São Paulo responde por 35% do volume de PET reciclado. Na seqüência aparecem Santa Catarina com 11%; Rio Grande do Sul e Minas Gerais, ambos com 10%; Rio de Janeiro, Paraná e Espírito Santo, com 6% cada. A maior parte dos usuários de PET reciclado também está localizada em São Paulo. Santa Catarina consome 20% desse material, o Rio Grande do Sul 14% e Minas Gerais usa 6%.


 

 

Fonte: Saneamento Ambiental
(Novembro/Dezembro de 2005)