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Priorizar
a questão ambiental é premissa
em todos os nossos projetos
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Da mesma forma que ocorre com os empreendimentos destinados à disposição de resíduos, como os representados pela Apetres, a questão ambiental está na ordem do dia no setor imobiliário. O licenciamento ambiental, aspectos do uso e ocupação do solo, os cuidados e medidas mitigadoras dos potenciais impactos nos ecossistemas e no ambiente de um modo geral são comuns. As experiências de um setor podem servir para o outro e vice-versa, guardadas as devidas diferenças de cada um. A Apetres ouviu Michel Rike, da AlphaVille Urbanismo, uma das grandes empresas de empreendimentos imobiliários de alto valor agregado. Conforme se observa na entrevista e nos materiais promocionais da empresa, a questão ambiental é bastante valorizada. Michel Rike diz que a “priorização da questão ambiental é uma premissa de todos os empreendimentos da AlphaVille”. Isso é bom, por diversos motivos, mas especialmente porque existem muitas empresas desse setor que “vendem ecologia destruindo o meio ambiente”. A seguir a entrevista com Michel Rike que é formado em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade Mackenzie e é Gerente de Projetos da AlphaVille Urbanismo. Entrevista concedida ao jornalista Paulo Antunes, editor de conteúdo do Site da Apetres. |
Apetres – Quais as principais dificuldades de viabilizar condomínios
que resultem em imóveis que promovam a qualidade de vida em uma Região
como a Metropolitana de São Paulo, que apresenta tantos problemas
ambientais e uma intensa e desordenada ocupação do solo?
Michel Rike – A oferta de áreas em regiões metropolitanas
para a implantação de loteamentos está cada vez mais
escassa. As áreas disponíveis carregam os problemas típicos
dos grandes centros urbanos no Brasil: ausência de infra-estrutura,
proximidade com áreas com alta criminalidade, ocupações
irregulares, dificuldades de acesso. Ou ainda, acabam por estar inseridas
próximas a mananciais ou em áreas de preservação
ambiental, o que torna o licenciamento ambiental muito mais complexo. Não
faltam exemplos de ocupação desordenada, principalmente na
Região Metropolitana de São Paulo. Basta olhar na região
dos mananciais e constatar a existência de loteamentos irregulares,
com péssima condição de infra-estrutura, carência
de saneamento, drenagem e coleta de lixo, dentre outros.
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Apetres – De fato, a ocupação desordenada em áreas
de mananciais está custando caro ao patrimônio ambiental e à saúde
pública. O que deve ser feito?
Michel – A impossibilidade de ocupação nestas áreas
pela legislação de proteção aos mananciais fez
com que seus proprietários permitissem uma ocupação
desordenada com o passar dos anos, afinal houve uma perda do valor imobiliário
da área. Em situações assim, o poder público
deve ser criativo e viabilizar legalmente o desenvolvimento imobiliário
nelas, através de uma ocupação qualificada e de baixa
densidade. Isso, por exemplo, aconteceu em Pinhais, município da Região
Metropolitana de Curitiba, onde foi implantado o AlphaVille Graciosa. Graças à criação
de ‘Unidades Territoriais de Planejamento” pelo órgão
gestor da região metropolitana, a ocupação das áreas
de mananciais foi permitida conforme diferentes critérios de densidade,
estabelecidos conforme a fragilidade e capacidade de suporte de cada área.
Apetres – E o que fazer em áreas de mananciais onde o estrago
já foi feito e os impactos ambientais são sempre crescentes?
Michel – Ao olharmos as margens da Represa Guarapiranga, em São
Paulo, por exemplo, é difícil imaginar qualquer solução
em curto prazo, sem mencionar a quantidade de recursos financeiros necessários
para a reversão desse quadro. O processo de ocupação
desordenada traz prejuízos incalculáveis para a sociedade com
a perda dos recursos naturais. A ocupação qualificada é a
melhor maneira de preservar áreas como estas. Empreendimentos como
os Alphavilles, por exemplo, acabam por reverter as tendências de ocupação
desordenada existentes, beneficiando áreas metropolitanas dos grandes
centros urbanos.
Apetres – A questão do licenciamento ambiental se insere entre
as principais dificuldades para empreendedores hoje em dia. No caso do setor
imobiliário como vem sendo a experiência?
Michel – O licenciamento ambiental tornou-se a espinha dorsal na aprovação
de loteamentos urbanos, determina o ritmo do desenvolvimento de todos os
projetos. A burocracia em excesso e a falta de estrutura e pessoal dos órgãos
de licenciamento ambiental são fatores responsáveis pela lentidão
nos processos. Uma simples vistoria em uma área pode levar semanas.
O impacto disso tudo sobre os prazos de aprovação é grande.
Apetres – A existência de diversas instâncias do Poder
Público também atrapalha?
Michel – De fato, apesar da legislação ter evoluído
bastante, principalmente na última década, a existência
de diversas instâncias de aprovação também é responsável
por algumas das dificuldades. No Estado de São Paulo, já existe
um processo centralizado de aprovação de projetos que inclui
também o licenciamento ambiental, o GRAPROHAB. Isso torna as coisas
mais claras para o empreendedor, permitindo que os cronogramas sejam mais
bem planejados e cumpridos. Outros estados precisam criar sistemas semelhantes.
Porém, isso ainda não elimina a necessidade de se estabelecer
relações em diversos níveis da sociedade organizada.
A atuação de ONGs e demais entidades civis nos processos de
licenciamento é cada vez maior, exigindo o estabelecimento de diálogo
já no início do processo. Tenho conhecimento de projetos que
foram inviabilizados em fases avançadas do processo de aprovação
por este descuido, em audiência pública, por exemplo, depois
de muito trabalho e investimento feitos até então.
Apetres – E a experiência da AlphaVille
nesse contexto?
Michel – A experiência acumulada em 30 anos desenvolvendo empreendimentos
levou a AlphaVille Urbanismo a adotar metodologias próprias, que permitem
planejar melhor nossos projetos. Isso quer dizer que só desenvolvemos
projetos após realizar o planejamento ambiental prévio, estabelecendo
relações de transparência com o Estado, com o Judiciário
e com a sociedade civil organizada, sempre conscientes da nossa responsabilidade
ambiental. Isso tem possibilitado obter as aprovações dentro
do planejado.
Apetres – Quais são os conceitos da AlphaVille
Urbanismo para os seus empreendimentos?
Michel – Antes de tudo, qualidade de vida. Isso significa criar áreas
onde as pessoas possam viver em equilíbrio com o meio ambiente, oferecendo
a possibilidade de se trabalhar e estudar, ter lazer, usufruir comércio
e serviços e tudo isso com absoluta segurança. É o que
chamamos de 24X7: viver em Alphaville 24 horas por dia, 07 dias por semana.
Ademais, a consciência em relação à preservação
ambiental aumenta a cada dia e o mercado torna-se mais exigente com os empreendedores.
Priorizar a questão ambiental é hoje uma premissa em todos
os nossos projetos, não apenas por sermos conscientes desta necessidade,
mas também por exigência do nosso comprador. O processo do projeto é totalmente
orientado pelo diagnóstico ambiental da área e suas diretrizes
para ocupação. Estas são as primeiras coisas a serem
feitas ao iniciarmos qualquer estudo. O projeto urbanístico do loteamento
em si e de seu entorno respeita desde a fase de concepção as áreas
de interesse ambiental. Para as áreas preservadas são desenvolvidos
planos de manejo e de monitoramento ambiental e algumas delas são
transformadas em parques públicos, beneficiando toda uma comunidade
e não apenas os moradores de Alphaville.
Apetres – Sim, isso enquanto o empreendedor está no
projeto. Mas e depois?
Michel – Tudo é organizado de maneira que não haja deterioração
ao longo do tempo. O sistema de auto gestão criado há mais
de trinta anos com o primeiro Alphaville, em Barueri, Região Metropolitana
de São Paulo, é o ponto chave para que haja preservação
e valorização imobiliária ao longo dos anos, e mesmo
após a saída do empreendedor os compromissos ambientais firmados
durante o processo de licenciamento são cumpridos pela associação
de moradores. Isso porque, na fase final de aprovação do projeto
são incorporadas ao seu estatuto as ferramentas jurídicas necessárias
para garantir o cumprimento destes compromissos. Mas, independente disso,
percebe -se que os moradores tornam-se os maiores interessados em estimular
a preservação nestas áreas, que representam a qualidade
de vida que foram buscar ao optar por morar em Alphaville.
Apetres – Além destes aspectos que outras práticas a
iniciativa privada pode trazer para que o uso do solo não seja responsável
pela degradação ambiental?
Michel - A iniciativa privada deve estar em acordo com o interesse da sociedade.
A adoção de práticas ambientalmente corretas contribui
não apenas para a diminuição e controle de impactos
ambientais, mas também para a educação e conscientização
da sociedade. Recentemente entregamos um empreendimento em Fortaleza, no
Ceará, onde o efluente da estação de tratamento de esgotos
será integralmente utilizado para a irrigação de parques
e jardins. Esta medida foi incorporada já na concepção
do projeto de infra-estrutura do loteamento.
Apetres – Os empreendimentos da AlphaVille Urbanismo incorporam programas
de educação ambiental?
Michel – A educação ambiental em nossos projetos se dá em
três momentos distintos ao longo de todo o processo. Primeiro antes
mesmo de iniciarmos a obra, através da orientação da
equipe técnica e dos operários que nela vão trabalhar.
Isso envolve programas de incentivo e orientação. Depois, durante
a execução das obras, há o envolvimento da população
do entorno do empreendimento. Neste caso, cabe citar o exemplo de programa
desenvolvido no Bairro da Paz, vizinho ao Alphaville Salvador, onde a comunidade
recebeu orientação sobre o consumo racional de água,
reciclagem de lixo e conscientização quanto à importância
dos recursos naturais. Por último, com a chegada dos moradores e funcionários
que vão trabalhar no condomínio, as associações
de moradores dão continuidade aos programas. Mais alguns exemplos:
todos os residenciais Alphaville possuem programas de coleta seletiva de
lixo e a gestão é feita através dos próprios
moradores. No Alphaville Graciosa, foi firmado um convênio com a Universidade
Federal do Paraná para desenvolver programas de pesquisa dentro das
reservas florestais do empreendimento. Em Fortaleza, foi firmado um convênio
entre a Fundação Alphaville e o Centro de Estudos do Mar da
Universidade Federal do Ceará, visando o desenvolvimento de programas
de revegetação do mangue e o repovoamento da fauna com espécies
ameaçadas de extinção.
Apetres – Abordando o assunto de forma mais ampla gostaríamos
de saber se empreendimentos habitacionais mais populares têm condições
de incorporar preocupações ambientais? E, por que não
incorporam?
Michel – A adoção de práticas ambientalmente corretas
deve ser considerada em qualquer circunstância. Obviamente, empreendimentos
mais valorizados têm possibilidade de destinar maiores recursos aos
programas ambientais. Isso, porém, não significa que loteamentos
populares, onde se busca a racionalização em maior escala,
devam ignorar o momento pelo qual passamos. As melhores receitas serão
sempre aquelas vinculadas a sustentabilidade e renovação dos
recursos naturais. Acrescentar aos empreendimentos populares programas de
educação ambiental, reciclagem, uso racional da água,
são sugestões simples de se implantar, sem custos expressivos
para o empreendedor.
Apetres – Pelo que se pode entender os desafios ambientais para este
tipo de empreendimento são maiores que aqueles para os projetos de
alto valor agregado?
Michel – Hoje no Brasil há um enorme déficit habitacional,
principalmente nas camadas mais populares. É possível, portanto,
saber a quantidade de empreendimentos necessários para atender toda
esta demanda e conseqüentemente o dano potencial que estes projetos
podem causar ao meio ambiente. Projetos de habitação popular
obrigam o empreendedor a uma economia de maior densidade, o que provoca maior
impacto ambiental. Por isso, esses empreendimentos devem ser implantados
preferencialmente em regiões onde haja capacidade de suporte para
tal. O grande desafio é atender a esta demanda sem provocar ainda
mais impactos negativos ao meio ambiente, para não correr riscos de
em nome da questão social destruir ainda mais os já escassos
recursos naturais.
Apetres – Para finalizar, o que dizer dos empreendedores do mercado
imobiliário que “vendem” ecologia em seus empreendimentos
destruindo a ecologia. Fazem Marketing Ecológico de empreendimentos
que para serem edificados destroem o pouco de ecologia do lugar. Isso incomoda
empresas como A AlphaVille Urbanismo? Como agir para depurar a performance
desse segmento empresarial?
Michel – Em qualquer atividade sempre existirão os bons e os
maus exemplos. Cabe ao Estado e à sociedade organizada fiscalizar
o cumprimento das leis propor alterações nas mesmas quando
necessário, e no caso, cobrar qualificação dos empreendimentos
no mercado imobiliário. Felizmente, o que percebemos hoje é a
crescente preocupação da sociedade com a preservação
ambiental. E, à medida que essa conscientização cresce,
menor a margem para que grandes distorções aconteçam.
