A petroleira BP anunciou nesta terça-feira um prejuízo de US$ 17 bilhões no segundo trimestre do ano, uma das maiores perdas da história corporativa do Reino Unido. No mesmo período do ano passado, a empresa teve um lucro de U$ 3,1 bilhões.
Só para cobrir os custos relativos à operação de limpeza do golfo do México, afetado pelo vazamento de petróleo que começou no dia 20 de abril, a empresa reservou mais de US$ 32 bilhões. O montante inclui uma reserva já anunciada de US$ 20 bilhões para cobrir os pagamentos com indenizações.
A BP anunciou também uma reestruturação de seu portfólio que incluirá a venda de US$ 30 bilhões de ativos nos próximos 18 meses.
É a primeira vez em 18 anos que a BP vai para o vermelho. A empresa perdeu em torno de 40% de sua capitalização de mercado desde o incidente, que começou com a explosão da plataforma Deepwater Horizon na costa da Louisiana.
Onze funcionários morreram e o vazamento que se seguiu é considerado o pior desastre ambiental da história dos EUA.
Criticado desde então, o presidente-executivo da BP, Tony Hayward, anunciou que deixará o cargo no dia 1º de outubro. Ele sairá levando um fundo para aposentadoria equivalente a US$ 930 mil por ano.
O editor de negócios da BBC Robert Peston disse que a cifra "deve causar grande polêmia".
Peston disse que, como a saída de Hayward foi resultado de um acordo mútuo com a companhia, e não uma demissão, o conselho da companhia achou que deveria "honrar os termos do contrato" com ele.
O executivo de 53 anos - 28 deles passados na BP - receberá um ano de salário mais benefícios no valor de mais de um milhão de libras (cerca de R$ 2,7 milhões).
A notícia da saída de Hayward levou as ações da BP a subir 4,6% na Bolsa de Londres na segunda-feira.
Ele deve assumir um posto não executivo na subsidiária russa da BP, a TNK.
SUCESSÃO
O sucessor de Hayward será o americano Bob Dudley, responsável pelos esforços da BP para a limpeza da mancha de óleo.
Muitos afirmam que, do ponto de vista de relações públicas, Dudley tem a vantagem de ser americano e falar com sotaque americano.
Ele cresceu no Mississipi e, segundo a BP, "tem profunda apreciação e afinidade com a costa do Golfo".
Dudley trabalha na BP desde 1999, depois da fusão da empresa com a companhia americana Amoco, e entrou para a diretoria em abril de 2009.
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